Inspirados na nova onda do Twitter das threads “dê um like e eu conto uma curiosidade”, reunimos fatos quase rotineiros do dia a dia de quem trabalha com inovação corporativa e startups – e a parte boa é que aqui não precisa dar like para ler. Segue o bonde:

 

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Já estamos acostumados a ser procurados por empreendedores que querem integrar seu negócio à alguma de nossas empresas mantenedoras e ouvir que, para abrirem seus números/soluções em uma primeira conversa, precisam que a gente assine um NDA. Esse não é o approach ideal, sério. Significa que a pessoa não tem nada e, se esse é o caso, por que alguém faria negócios com ela?

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Quem trabalha com inovação não fica o dia todo tendo ideias e pensando em coisas mirabolantes – sim, as pessoas de outras áreas nos perguntam se é esse o nosso dia a dia.

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Muitas empresas por aí colocam uma grana considerável em centros de empreendedorismo famosos, ou mesmo criam o seu próprio, só para se divulgarem como inovadoras. Já fomos contactados por gigantes que queriam apenas envelopar uma das nossas salas de reunião ou colocar o logo na entrada. Na verdade, elas não estão nem aí para o retorno financeiro de negócios que a iniciativa vai trazer – apenas, claro, em exposição e branding. Se você é empreendedor, ligue o alerta. Pode ser uma cilada, Bino.

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Na maioria dos casos da situação acima, o gatilho nasce na visita de algum gestor ao Vale do Silício – extra points se ele tiver assistido também alguma palestra da Singularity.

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O princípio básico da inovação nada mais é que cultura interna. Se você, executivo(a), não engajar o seu time para uma mudança nesse sentido, nada vai acontecer. Mesas de sinuca no escritório não fazem milagre, infelizmente.

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Ok, não fazem milagre, mas parece que ajudam na digestão. A mesa de sinuca do iDEXO vive lotada naquele restinho do horário do almoço.

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Já fomos abordados via e-mail por empreendedores super early que, sem ao menos explicar a solução de sua startup, pediram para que a gente os convencesse de que deveriam escolher o iDEXO e não outro espaço de empreendedorismo para ajudá-los. Calma, amigão.

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Se o gestor não incluir tudo o que for relacionado à inovação na meta da equipe, esqueça. Dificilmente as coisas vão para frente quando os colaboradores têm outras prioridades, por mais que a gente tente.

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Muito por conta do fato acima, as pessoas do time de inovação, que geralmente têm o apoio de quem comanda a estratégia da empresa, são vistas como chatas pelas outras áreas. Desculpa, gente, juro que não fazemos por mal.

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Com o hype do empreendedorismo e da glamourização dos cargos e posts egocêntricos do LinkedIn, avaliar startups, possíveis sinergias com nossos mantenedores e recrutar pessoas não têm sido tarefas fáceis. Além de pesquisa intensa, precisamos ser bem críticos nas conversas iniciais para entender o que é real e o que é espuma.

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Se uma pessoa aleatória cair em uma reunião do nosso time, provavelmente não vai entender nada do que é falado. São tantas siglas de negócios e produtos que parece até outro idioma. Sim, a gente também acha isso um saco, mas é meio universal. Fazer o quê?

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Sabe aquela história de que saber programar é o novo falar inglês? Então, se isso é verdade ou não, logo descobriremos, mas que é importante ter gente técnica no time, isso é mais do que real. São os nossos tech buddies, como chamamos aqui no iDEXO, que nos salvam quando algum desenvolvedor fala que uma integração simples levaria mais de seis meses e custaria algumas centenas de mil reais para concretizá-la. Na maioria dos casos, não é bem assim.

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Um dos nossos grandes desafios é fazer com que executivos de empresas tradicionais se reconheçam como dinossauros (isto é: grandes e lentos). Muitos levam para o lado pessoal, mas se enxergar como tal, mesmo que de leve, é fundamental para começar a mudar o cenário.

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Ah, e ser chamado de dinossauro não significa que a empresa está fadada a extinção. Estamos aqui para evitar que o meteoro chegue 😉

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Só trocar cartões de visita não paga as contas de ninguém. Fazer networking é fundamental, mas foco é bem vindo também.

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O mesmo vale para mentorias. A pessoa que está te dando conselhos já fez ou faria o que está falando?

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Se você está no Brasil e se apresentando para brasileiros, why an english presentation? Faça o PPT em português, raios!

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Startups não são necessariamente os aplicativos que você tem no celular. Tem muito negócio sensacional que existe para resolver dores corporativas (B2B) que você, na pessoa física, nem imagina que existem. E esse é o nosso foco por aqui.

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Nem todo empreendedor bom dá palestras e escreve livros inspiracionais. Juro.

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Por outro lado, tem muita gente que nem deveria se considerar empreendedora dando palestras e lançando livros inspiracionais. Abra o olho.

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Reuniões para marcar reuniões às vezes acontecem, por mais que já tenham inventado e-mail, Slack, Hangouts e etc. Vida que segue.

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Como já diria Nizan Guanaes:  empreendedor vende o que não tem e encaixa onde não cabe. Isso não é necessariamente um defeito, só é bom ter certeza de que vai entregar.

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Seria o ideal, mas ter a sua API aberta não resolve toda integração do mundo. Sorry.

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Ter adesivos colados no laptop não é uma regra, dá para sobreviver no ecossistema sem – mas, confessamos, a gente bem que curte (olha os do iDEXO aí).

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Somos adeptos, sim, da ideia de fail fast (falhar rápido, jargão famoso no ecossistema), mas isso também não significa que a gente pode fazer o que der na telha e que está tudo bem.

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Não é porque tem umas cervejas na geladeira que a galera bebe durante o expediente. Muito pelo contrário. Para o último happy hour do ano passado, aliás, a gente comprou 200 garrafas e hoje, metade de janeiro, ainda deve ter pelo menos um terço disso lá. 2019 chegou e ninguém sequer tocou nas verdinhas ainda.

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Empreendedores têm o péssimo hábito de não reconhecer que também têm problemas. Em teoria, a rotina deles é sempre corrida, cheia de palestras, reuniões, networking e etc, mas, sério, nem sempre ‘as stories’ que eles postam nos stories do Instagram refletem a realidade. A vida de quem está tocando um negócio é bem puxada e sem glamour.

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Eventos de inovação e empreendedorismo: temos nossas dúvidas. Falaremos mais sobre isso em breve, fique de olho aqui no NUVEM.

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As pessoas de fora sempre nos perguntam qual vai ser o próximo unicórnio ou que ideia de startup pode dar muito dinheiro. Se a gente soubesse assim, na lata…

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Quando aparecem aquelas turmas grandes para conhecer nosso espaço, a gente meio que se sente animais no zoológico. Principalmente quando pegam o celular e começam a fotografar e filmar. E o medo de sair mal na foto?

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Essa é para os executivos: ao fazer negócios com uma startup, não pense que, só porque é maior, pode conduzir a parceria do jeito que quiser – tipo propor cláusulas absurdas no contrato e etc. Como diria uma pessoa do nosso time, a relação não deve ser no estilo sexo com gorila. (Não entendeu? É simples: sabe como se faz sexo com um gorila? Do jeito que ele quiser. Rá!). Não faça isso.

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Tecnologias inovadoras sem aplicações práticas nos negócios são apenas buzzwords. E buzzwords são apenas discursos bonitos. Evite.

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Nem todo espaço de inovação descolado aceita pet, skate e etc. Se alguém aparecer com um cachorro por aqui, nem sei o que o responsável pelo facilities do prédio faria (mas a reação não seria legal, com certeza).

foto: James Pond, via Unsplash

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