Por Fernando Souza

Originalmente publicado no Projeto Draft

Basta uma googlada rápida para constatar a ampla oferta de cursos de programação (presenciais ou online) disponíveis hoje em dia. Aprender a escrever códigos surge como alternativa de guinada profissional até para quem nunca teve familiaridade com a informática. No futuro próximo, porém, essa pode ser uma habilidade menos requisitada do que se imagina.

É para esse futuro que aponta a Digibee, startup de integração de sistemas que desenvolve plataformas estritamente No Code (em que as soluções são criadas a partir de templates, sem o uso de programação) e Low Code (que requer uma programação básica).

Na perspectiva dos fundadores da empresa, a programação por código seguirá tendo um papel importante e muito visível na inovação digital. “Para construir um aplicativo de varejo, se você ficar muito engessado nos templates, perderá o seu diferencial”, diz Peter Kreslins, CTO da Digibee. “O Nubank tem um app que é a cara deles, e isso não é gerado automaticamente por softwares, tem que ser pensado por alguém.”

Entretanto, e essa é a aposta da Digibee, a programação será dispensada do “trabalho pesado” e silencioso que acontece no backstage, quase sempre invisível ao usuário final. “Nas tarefas que não requerem personalização, a abordagem No Code ocupará o lugar da programação por código, que é mais lenta, trabalhosa e custosa”, afirma Kreslins.

Residente do iDEXO, o hub de inovação e desenvolvimento de negócios que tem a TOTVS como uma das associadas, a Digibee é capaz de conectar os ERPs que a multinacional brasileira instalou em seus clientes a uma infinidade de CRMs e softwares de warehouse e e-commerce – mas não só.

Mesmo se o cliente tiver desenvolvido uma plataforma própria (e única), a Digibee encontra mecanismos de conexão no banco de dados, na web externa, por meio de arquivos… “Em vez de ter que entrar no portal do desenvolvedor e entender sua TI, nós dispomos de um ícone ‘cliente’ que busca os dados necessários para a integração de maneira muito simples e rápida”, diz Kreslins.

CEO da Digibee, Rodrigo Bernardinelli afirma que, embora o trabalho da startup seja tão discreto quanto o encanamento de uma casa ou a rede de água de uma cidade, sua execução poupa tempo e esforço preciosos dos clientes.

“Segundo a consultoria Gartner, 45% dos recursos materiais e humanos em novos projetos de TI são gastos na integração”, diz Bernardinelli. Kreslins completa: “Com o No Code, enquanto um desenvolvedor tradicional faz uma integração, nós fazemos dez”.

Os sócios da startup explicam que o trabalho de integração de sistemas cai como uma luva em uma plataforma No Code porque baseia-se em padronização. Dessa forma, o desenvolvedor não apenas ganha tempo, como fica dispensado de criar códigos para executar uma tarefa tão repetitiva.

A fácil manipulação da plataforma também desobriga os clientes da necessidade de dispor de profissionais muito especializados para desenvolver produtos e integrações. Na abordagem No Code, os sistemas são desenhados com uma ferramenta drag-and-drop como se fossem um diagrama do PowerPoint: o usuário arrasta as figuras, conecta-as com setas e faz até mesmo transformações complexas simplesmente arrastando e soltando.

Uma demanda do mercado que se encaixa no No Code da Digibee é a necessidade premente de as empresas serem real time. “No passado, uma indústria distribuía seu produto no supermercado, que o colocava na prateleira, começava a vender, fazia um balanço mensal e só ao final de dois meses atualizava o fabricante. Se um produto concorrente derrubasse as vendas, a companhia levava meio ano para conseguir reagir”, diz Kreslins.

Esse cenário pertence ao passado. O tempo de resposta das empresas hoje precisa ser cronometrado em segundos:

“As empresas se tornarão real timenesse contexto, e nós as habilitamos para isso. A nossa plataforma No Code conecta o ERP das redes de supermercado às indústrias fornecedoras, que passam a saber a hora em que o produto foi vendido e, se houver um sensor na prateleira, até o momento em que a mercadoria entrou no carrinho.”

A startup se prepara agora para entrar no mundo dos microsserviços, uma tendência de experiência do usuário segundo a qual as empresas se tornam mais especializadas e desacopladas. “Os novos produtos vão demandar mais dependência do ecossistema de parceiros”, diz Kreslins. “Com isso, a necessidade por integrações crescerá exponencialmente.”

Nesse mundo mais especializado, ERPs da era anterior terão de conversar com SAPs antigos, APIs variados e até sistemas criados in house, que não têm qualquer correspondente no mercado.

“Imagine quantas oportunidades não estão presas nas grandes organizações simplesmente porque as pessoas não conseguem juntar lé com cré”, diz Rodrigo Bernardinelli, CEO da Digibee. “Agora, imagine estar em um ambiente que consiga facilmente conectar serviços díspares, de dentro e de fora da sua empresa. Essa é a promessa da integração No Code: lançar serviços e produtos muito mais rapidamente.”

O CEO da Digibee menciona outro número da consultoria Gartner, que crava também em 45% o percentual de recursos humanos, materiais e financeiros gastos em projetos digitais com integração de sistemas e serviços.

O Uber seria um exemplo do quanto as aplicações No Code podem fazer por um determinado mercado ao atuar nos “subterrâneos” dos sistemas.

“O aplicativo deles, tecnicamente, é a junção do Google Maps com um sistema de meio de pagamentos. Ao se unirem, deram origem a uma nova indústria”, diz Kreslins. “O mundo digital está provando que vai haver uma miríade de serviços de sistemas, e nós precisamos conectá-los para tirar algum valor disso.”

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