Por Luiza Terpins, head de comunicação do iDEXO, em Austin (TX)

Se antes a presidência de um país era sinônimo de política, já não há mais dúvidas de que de uns tempos para cá está bem ligada a empreendedorismo. Esse, inclusive, foi o tom da participação de Howard Schultz, o famoso ex-CEO do Starbucks, no SXSW.

Quem enfrentou a longa fila achando que iria vê-lo falar sobre sua trajetória à frente da rede de cafeterias talvez tenha se decepcionado: o talk de uma hora foi praticamente uma campanha política. Há poucas semanas, ele anunciou sua intenção de concorrer à presidência dos Estados Unidos e aproveitou o espaço para angariar possíveis eleitores de um perfil específico: o empreendedor.

Com um discurso mezzo político, mezzo corporativo e cheio de críticas a Trump, ele contou que pretende, caso eleito, implementar no governo americano algumas das práticas que adotou na gestão do Starbucks. “É uma noção de como eu poderia liderar o país”, disse. Sem entrar muito em detalhes, bateu bastante na tecla, por exemplo, em empatia e valores de comunidade, citando a famosa característica da empresa de engajar os funcionários com ações e bolsas de estudo.

“Não foi uma estratégia relacionada à design, experiência ou tecnologia, mas fez a diferença em como eles se sentem em relação ao emprego. Fortalecer o comportamento de dono foi a melhor ação para tê-los trabalhando duro no dia a dia”, afirmou.

O ponto alto para quem estava na plateia foi quando o entrevistador, o jornalista político da NBC News Dylan Byers, o questionou sobre um pesquisa que apontou que o empresário teria apenas 1% de chances de ganhar as eleições. De pé, Schultz olhou para o público e fez uma pergunta motivacional que costuma fazer sucesso com quem está tocando um negócio: “quantas vezes vocês ouviram que não dariam certo e deram? Com o início do Starbucks foi assim também”. Bingo. O pessoal presente foi à loucura.

Enquanto isso, em uma rede não tão distante chamada Twitter (bastante utilizada aqui no SXSW, por sinal), o que mais apareciam eram críticas ao futuro possível candidato. Bem-vindos à mais uma eleição emocionante, já que Schultz, como ele mesmo brincou, “até que entende um pouco de marketing” e pretende usar e abusar deste dom em sua campanha.

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