Em um dos talks mais interessantes do primeiro dia do SXSW, em Austin, o Head de Saúde do Google falou sobre o que ele acredita ser o futuro de verdade da medicina

Por Luiza Terpins, head de comunicação do iDEXO, em Austin (TX)

“Nos últimos dias, quem aqui falou com seu médico? E quem procurou sintomas no Google?”

Essas foram as perguntas que David Feinberg, head de Saúde do Google, fez para a plateia durante o talk The Future of Healthcare, Really [O futuro da assistência médica, de verdade] com Clay Johnston, da Dell Medical School, no primeiro dia de SXSW, em Austin. O resultado não o surpreendeu: enquanto boa parte da sala levantou a mão para responder a segunda questão, pouca gente se manifestou na primeira.

Segundo David, 7% das pesquisas realizadas no Google diariamente são relacionadas a saúde. Isso não é pouca coisa: são cerca de 70 mil por minuto e um bilhão por dia, que vão desde questões simples – como aquelas de pessoas que perguntam qual é melhor remédio para dor de cabeça –, a casos mais complicados, em que o usuário cai no limbo dos diagnósticos “certeiros” de Dr. Google, começa a acreditar que está em fase terminal e a se automedicar.

“Saúde não é algo que as pessoas necessariamente desejam. O que elas querem, na verdade, é não ter que se preocupar com o assunto – e isso, infelizmente, está fora da realidade de boa parte da população”, disse.

O problema, na opinião de Feinberg, não é a qualidade dos serviços médicos oferecidos, mas sim para quem são elaborados. “Se a gente parar para pensar, a maior parte é desenvolvida com foco no provedor, e não no usuário final. Ou vocês acham que a sala de espera foi criada por outro motivo que não para a comodidade do médico?”

O mesmo acontece para determinados nichos de público. Enquanto há uma parte da sociedade recebendo atualizações frequentes em seus smartwatches, aqueles relógios que informam de peso a qualidade do sono, há outra que não tem acesso nem ao básico. “Essas pessoas acabam buscando no Google porque não têm outra opção. A medicina precisa pensar também naquela mãe solteira que trabalha em dois empregos, está com filho doente e ainda cuida dos pais. Precisa entender como ajudá-la. Se não, vai continuar resolvendo os problemas do pessoal do Vale do Silício e deixando o resto de lado”, afirmou, destacando a importância do UX [experiência do usuário] na elaboração de novos serviços.

“Os dados a gente já tem. É só checar a base do Google ou os coletadas em triagens de hospitais, por exemplo. O futuro da medicina está em como transformar essas informações em experiências mais humanizadas. Muitos médicos estão sofrendo de burnout porque seus pacientes muitas vezes têm problemas sociais que quando chegam aos consultórios os profissionais não são capazes de resolver.”

Para finalizar, fez uma referência a um case clássico do conceito de Organizações Exponenciais, livro queridinho do público do SXSW: “na área de saúde, ao invés de inventar o Netflix, a gente ainda aposta que dá para fazer as coisas na Blockbuster andarem mais rápido.”

[Dos dias 8 a 15/3, o iDEXO está em Austin, nos Estados Unidos, para acompanhar o SXSW. Fique de olho na nossa cobertura aqui, no Instagram e no LinkedIn

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